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Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.
Ele sempre foi inteligente, esforçado, estudioso.
Bom aluno desde o ginásio, onde nos conhecemos, continuou assim no colegial, tanto em Natal como em Recife, para onde nos transferimos em 1954.
Terminado o colegial, entrou na Escola Politécnica de Pernambuco, transferindo-se depois para a PUC do Rio, onde se formou em engenharia.
Fundou a sua construtora, que vem tendo sucesso até os dias de hoje.
-Um vencedor, como me disse, certa vez, o seu filho caçula.
Para uma coisa, entretanto, nunca levou o menor jeito: o estudo de línguas. Até hoje é um perfeito monoglota, não sabendo se expressar e nem conseguindo entender nem o mais comum dos idiomas modernos.
Alguns anos depois de iniciada a sua vida profissional, empreendeu uma longa viagem de turismo pela Europa. Visitou inúmeros países, conheceu as principais cidades. Em todas elas, sempre o mesmo problema. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas não entendia o que as pessoas falavam, nem elas o entendiam.
Com o temperamento elevadamente otimista, sua principal e mais forte característica, encontrava sempre uma solução para se fazer entender e ia levando.
Mas agora, ele estava muito satisfeito: estava embarcando para Portugal e aquela situação estava prestes a ter fim. Não só porque era brasileiro, como por ser filho de um autêntico português de Figueira da Foz.
Chegou a Lisboa, desembarcou, tomou um taxi. Bom, pensou ele, vou bater um papo com o motorista. Perguntou ao motorista o nome da avenida que estavam percorrendo. Quando o motorista respondeu, ele pensou:
- Raios! O que será que está havendo? Não estou entendendo nada que esse cara está dizendo!
Fez outra pergunta. Novamente, o motorista respondeu e ele não entendeu nada!
Após a terceira pergunta, novamente com uma resposta absolutamente estranha, chegaram ao hotel.
Desembarcou, pagou a corrida e aproximou-se do rapaz que o ajudava com as malas.
- Por favor, como é o nome desta avenida?
- Ah, esta é a Avenida Reis, disse o moço, com total clareza.
Ele sentiu um alívio. Afinal, ele conseguia entender, com total facilidade, o português. E comentou:
- É que eu fiz algumas perguntas ao taxista e não consegui entender nada que ele falou!
- Ora, pois, pois, respondeu o moço. Aquele gajo que lhe trouxe é o motorista Gaguinho. Nós também temos dificuldade em entendê-lo...