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Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Shampoo do Barbeiro

Daqui não saio

Autoria: Heródoto Barbeiro

Já se disse que, por aqui, ninguém pede demissão, nem mesmo de síndico de prédio. Por isso quando uma roubalheira é flagrada, o titular da pasta, seja ele um ungido municipal, estadual ou federal manda apurar e fica tudo por isso mesmo. Não é bem assim nos países de democracia consolidada. Um ministro é responsável por tudo o que ocorre na sua pasta e responde perante a opinião pública. Pode até não ter metido a mão no dinheiro do distinto público ou permitido que isso aconteça, mas é responsável. Por isso o mínimo que se espera dele é que renuncie, peça desculpas e feche a boca por um bom tempo.Alguns se afastam definitivamente da política ou da administração pública. Muitos se afastam dos dois.São movidos pela ética, pela vergonha de não ter cuidado do patrimônio público que lhe foi confiado. Alguns chegam ao exagero de por fim a própria vida. Certa vez um ministro dos transportes de Portugal renunciou porque uma ponte antiga caiu e aparentemente ele nada tinha a ver com isso. Mas pegou o boné alentejano e escafedeu.

Em uma república presidencialista, aparentemente, é o chefe do executivo quem põe ou tira o ministro como lhe aprouver.Afinal o cargo é dele presidente, ou do governador, ou do prefeito. Por isso ele escolhe os melhores, os mais confiáveis, os mais habilitados para gerir um órgão que é mantido com o dinheiro do contribuinte e este é sagrado. É recolhido através dos impostos e os cidadãos pagam religiosamente porque sabem que o tributo vai custear educação, saúde, transporte público, cultura de boa qualidade. É uma tarefa com imensa responsabilidade e que depende de credibilidade e confiança que o chefe do executivo e a população lhe dedicam. Por isso são homens e mulheres de reputação ilibada, honestos, que nunca se envolveram em falcatruas, nunca foram processados por se apropriar de dinheiro público, receber propina ou ter qualquer suspeita de corrupção. É com orgulho que o seu nome é ensinado nas escolas, divulgado na mídia. É um gerador de boa notícias e os jornalistas não podem ignorar.

Argumentos como ignorância do que se passa nos porões do prédio público, nas licitações de obras, aumento exagerado dos aditivos de contratos que duplicam o valor acertado não deveriam ser argumentos para a permanência de quem quer que seja no cargo. Aqui é. Vou mandar apurar, diz a excelência. Essa força toda

permanecer no cargo apesar dos escândalos é a prova que quem escolhe não é o chefe do executivo. São os partidos da base aliada, ou seja o grupo que existe para aprovar os projetos de interesse do governo. Ou seja é o tijolinho principal da cadeia do toma cá da lá. Ora o que se pode esperar de uma coluna construída dessa forma? Tirar um tijolo pode por em risco toda a construção, por isso é preferível fazer de conta que o titular da pasta não tem qualquer responsabilidade sobre a roubalheira que ocorreu a volta de seu refrigerado gabinete. Mandar apurar é o máximo de satisfação que se dá para o cidadão comum, que paga os impostos e ensina aos filhos que é preciso ser honesto e ético. Renunciar ao cargo, jamais.


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