Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Persistência ou Insistência, qual é a boa para a inovação?

 Filhas de um mesmo pai, ou, na melhor das hipóteses, de pais muito próximos, a persistência e a insistência parecem se fixar de forma pouco confortável, com certa frequência, nas mentes das pessoas. A razão dessa presença se deve, costumeiramente, a ciência sobre quando estamos assumindo posturas e/ou agindo de uma maneira ou de outra. Ainda que muito possamos não querer nos importar, isto faz muita diferença não apenas em nossa vida pessoal, mas, principalmente, na profissional.

No campo afetivo ao nos interessarmos por outrem se inicia o processo de conquista. Após avançarmos o obstáculo do devo, ou não, explicitar meus sentimentos, muitos de nós, espero que poucos que leem este texto, recebemos a resposta não desejada. Diante a negativa o que resta para alguns é a resignação, aceitar que nada haverá e que o melhor a ser feito é ‘partir para outra’. Já para outros a negativa não é abraçada como o fim, mas como um meio, uma oportunidade que ainda não se concretizou, mas que poderá, no futuro, vir a se efetivar. Daí surgirá o primeiro fragmento que contribuirá para diferenciar uma pessoa persistente, de outra insistente.

Caberá ao persistente receber a mensagem, ‘mastigá-la’ e estruturar ações que contribuam para transformar um não em um sim. Paciente, o persistente irá analisar a estratégia anteriormente adotada, buscará melhora-la e, principalmente, dará espaço e tempo para que a pessoa, alvo de seu interesse, possa passá-lo a ver de outra maneira e não daquela que resultou em sua negativa. Contrariando o dito popular ‘quem persiste sempre alcança’, aquele que age desta forma não tem a menor garantia que o objetivo será alcançado, mas saberá, sim, que o melhor possível foi feito, e isto faz muita diferença. O persistente aprende com suas limitações e evolui de forma esplendorosa para o sucesso em suas próximas ações, seja com o fruto desejado naquele primeiro momento, seja por outro imensamente mais saboroso que se disporá a seguir. O persistente é sábio, pois inova suas ações em prol do atendimento de uma meta.

Quanto ao insistente, costumeiramente, caberá a ele continuar a agir da mesma forma, em uma estratégia suicida para que a pessoa, alvo de seu interesse, mude de ideia, simplesmente, porque ela, supostamente, se equivocara em sua primeira resposta. Ledo engano. Sim, os insistentes acreditam que o erro está em outrem, jamais com ele. Sendo assim, após uma negativa, muitas outras virão, não somente da mesma pessoa, que emitira o primeiro, mas das próximas que vierem a cruzar seu caminho. Um indivíduo insistente parece não possuir lastro para analisar a forma como age, e, talvez por isso, continua a seguir os mesmos roteiros cansativamente traçado por alguém. Ele segue a linha do plágio e entende mal o ditado ‘em time que está ganhanho não se mexe’, pois para ele ‘...em time que está perdendo, também não se mexe...”. O insistente é retrógrado e, mais que tudo, um chato de calocha.

No mundo corporativo os preceitos que costumam pautar as pessoas persistentes e insistentes, tendem a entrar em certa rota de colisão, o que certa confusão. No entanto, ainda que possa parecer paradoxal, parecem seguir a mesma linha de raciocínio compartilhada anteriormente. Durante o desenvolvimento de um projeto, pessoas persistentes acompanham de forma atenta o andamento das atividades realizadas e tendem a usar estas informações de forma contextualizada, para gerar novos conhecimentos, melhores, inovadores e que façam a diferença. Estes, ao serem aplicados, se tornam competências. Quem persiste, melhora e constrói estrada sólida para traçar o melhor caminho. Já o insistente parece ter pouca paciência para fazer ‘rodar’ qualquer ciclo de melhoria, uma vez que faz parte de seu modo de pensar a crença de que a repetição dos meios, ainda que muitas vezes disfarçados como grande ‘sacadas’, seja o segredo perpétuo para tudo o que virá à frente. No caso, ainda que, excepcionalmente, com bons resultados, possui chances ínfimas de perpetuação, pois olham para trás, sem o anseio de enxergar à frente.

Enfim, o fato é que todos temos um pouco de persistentes e insistentes dependendo do cenário que se apresenta. Ter atenção sobre isso é salutar e decisivo ao nosso crescimento. Ao que parece há íntima associação ao nível de ansiedade presente em nós mesmos, o que também depende muito do horizonte traçado para se conseguir os resultados almejados. Mas creio que cabe acreditar que enquanto quem persiste vê olhos iluminados, aquele que insiste parece vê-los cerrados.