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Um pretendente a discípulo perseguia Nasrudin, fazendo-lhe uma pergunta atrás da outra. Nasrudin respondia a todas e percebia que o homem não estava internamente satisfeito. Entretanto, estava, na verdade, fazendo progressos. Finalmente o homem falou: - Mestre, eu preciso que você me guie mais explicitamente. - Qual é o problema? - Eu preciso continuar fazendo as coisas, pois, embora eu progrida, quero ir mais rápido. Por favor, conte-me um segredo, como já o ouvi contar a outros. - Eu lhe contarei quando você estiver preparado. Mais tarde, o homem voltou ao mesmo assunto. - Muito bem - disse Nasrudin -, você sabe que deve seguir o meu exemplo? - Sei. - Você pode guardar um segredo? - Eu jamais o revelaria a alguém. - Então, observe que eu posso guardar um segredo tão bem quanto você. (Retirado do livro: As Parábolas e Contos de Nasrudin , organizado por Alexandre Rangel)
Um executivo, depois de semanas de espera, conseguiu dois ingressos, na primeira fila, para um concerto onde seria executada a Sinfonia Inacabada de Schubert. Impossibilitado de comparecer por causa de uma inadiável viagem de negócios que surgira inesperadamente, passou o disputado convite para seu gerente de Métodos e Processos. Curioso para medir o efeito de sua ação sobre a motivação do gerente, logo na manhã seguinte, pelo correio eletrônico da filial, perguntou-lhe se havia apreciado o programa. De pronto, recebeu, via-e-mail, a mensagem que tinha como título Relatório Schubert e dizia: "1) Por período considerável de tempo, os músicos com oboé não tinham que fazer. Sua quantidade deveria ser reduzida e o trabalho deles, redistribuído pela orquestra, evitando esses picos de inatividade. 2) Os doze violinos tocavam notas idênticas. Isso parece ser uma duplicidade desnecessária de esforços. O contingente dessa seção deveria ser drasticamente reduzido. Se o alto volume do som é um requisito, isso pode ser obtido por meio de um amplificador. 3) Muito esforço foi envolvido em tocar semitons. Isso parece um preciosismo desnecessário e seria recomendável que todas as notas fossem arredondadas para o tom mais próximo. Se isso fosse feito, poder-se-ia utilizar estagiários em vez de músicos profissionais, reduzindo, assim, significativamente, o custo operacional da orquestra. 4) Não havia utilidade prática em repetir com os metais a mesma passagem já tocada pelas cordas. Se toda essa redundância fosse eliminada, o concerto poderia ser reduzido de duas horas para apenas vinte minutos. Em tempo: o maestro, em uma enorme demonstração de falta de respeito, descaso e insegurança no trabalho de sua equipe, o tempo inteiro deu as costas ao público, seus clientes. Nem assim se deu conta de detalhes tão óbvios. Como não o fez, deu uma clara demonstração de gestão ineficaz. Sugerimos, portanto, a simples reavaliação da necessidade dessa função ou, no mínimo, à luz da simplificação anteriormente feita, a sua substituição por alguém mais jovem, com pretensões salariais provavelmente menores. Sumarizando as observações anteriores, podemos concluir que, se Schubert tivesse dado um pouco mais de atenção a esses pontos, talvez tivesse tido tempo, também, de acabar sua sinfonia." (retirado do livro: "As Parábolas na Empresa"de Alexandre Rangel)
por Flávio Cavalcanti Pelo o que você já me disse com o seu sotaque de anjo, percebo que você me considera uma criança grandona e desajeitada, e me acha, mesmo assim, seu melhor companheiro de brinquedos. Pena que tenhamos tão pouco tempo para brincar, tão pouco porque só sei brincar de passado, e você só sabe brincar de futuro. E ainda estarei brincando de recordação quando você começar a brincar de esperança. Mas antes que termine o nosso recreio juntos, antes que eu me torne apenas um retrato na parede, uma referência de minha nora, ou quem sabe até uma lágrima de meu filho, quero lhe dizer meu neto, que vale a pena. Vale a pena crescer e estudar. Vale a pena conhecer pessoas, ter namoradas, sofrer ingratidões, chorar algumas decepções, e a despeito de tudo isso, foi por causa de tudo isso, ir renovando todos os dias a sua fé e a bondade essencial da criatura humana, e o seu deslumbramento diante da vida. Vale a pena verificar que não há trabalho que não traga sua recompensa; que não há livro que não traga ensinamentos; que os amigos têm mais para dar que os inimigos para tirar; que se formos bons observadores, aprenderemos tanto com a obra do sábio quanto com a vida do ignorante. Vale a pena casar e ter filhos. Filhos, que nos escravizaram com o seu amor. Vale a pena viver nesses assombrosos tempos modernos, em que milagres acontecem ao virar de um botão; em que se pode telefonar da Terra para a Lua; lançar sondas espaciais, máquinas pensantes à fronteira de outros mundos, e descobrir na humildade que toda essa maravilha tecnológica não consegue, entretanto, atrasar ou adiantar um segundo sequer a chegada da primavera. Vale a pena meu neto, mesmo quando você descobrir que tudo isso que estou tentando ensinar é de pouca valia, porque a teoria não substitui a prática, e cada um tem que aprender por si mesmo que o fogo queima, que o vinagre amarga, que o espinho fere, e que o pessimismo não resolve rigorosamente nada. Vale a pena, até mesmo, envelhecer como eu e ter um neto como você, que me devolveu a infância. Vale a pena, ainda que eu parta cedo e a sua lembrança de mim se torne vaga. Mas, quando os outros disserem coisas boas de seus avós, quero que você diga de mim simplesmente isso: "Meu avô foi aquele que me disse que valia a pena. E não é que ele tinha razão!"
Por Alexandre Rangel Um cervo estava muito doente e, a fim de repousar e recuperar suas energias, recolheu-se a um pequeno pedaço de pasto, afastado de seus companheiros de bando. Os outros cervos, mostrando-se muito preocupados com seu estado de saúde, foram visitá-los. Mas cada um dos visitantes, ao levar palavras de consolo e desejos de melhora, comia um pouquinho do pasto do cervo doente enquanto conversavam. Foram tantas as visitas, que o pobre cervo ficou sem pasto e morreu, não por causa da doença, mas sim de fome. Moral da História Tudo que é demais pode se transformar em veneno.
Certo dia, discutiam entre si um caniço e uma oliveira a respeito de sua resistência, vigor e firmeza. A oliveira reprovava ao caniço sua fraqueza e sua impotência, que o faziam ceder facilmente a todos os ventos, e este se mantinha calado, sem responder. Logo após, quando o vento começou a soprar forte, o caniço, sacudido e vergado, sobreviveu facilmente à tempestade, mas a oliveira, que quis resistir aos ventos, foi arrancada pela sua violência. Moral: A fábula mostra que ceder aos mais fortes traz mais vantagens que a rivalidade e a resistência.