.: José Renato Sátiro Santiago Junior :.

Centro de Inteligência

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Estado Brasileiro nasceu antes da Sociedades, da Nação

Começa a valer a pena ter insistido estes anos todos. Ouço as primeiras vozes concordantes. Há pelo menos uma década tenho martelado no ouvido do meu leitor que os males brasileiros decorrem da forma como o estado nasceu antes da sociedade, da nação. Um mal decorrente da vinda de D.João VI para o país em 1808, fugindo de Napoleão. Instalado o reino na então colônia, o rei criou de cima para baixo, a estrutura do estado para ter o que e com o que governar. O Brasil nasceu como país, na forma como hoje o conhecemos de cabeça para baixo. Antes de a sociedade existir e se organizar como nação, criando um estado para gerir seus interesses, o estado surgiu e se impôs e até hoje controla a vida dos brasileiros de forma interventora. O estado brasileiro, pela origem, pelo nascimento, tutela a sociedade até hoje e não é como deveria ser, por ela tutelado.

O lado positivo foi a manutenção da integra do território, fazendo do Brasil uma potência continental. Ao contrário das América do Sul espanhola, que se despedaçou em uma dezena de países, a presença do rei português criando o estado brasileiro serviu para garantir a integralidade do território nacional.

O fato de a nação brasileira, enquanto resultado da miscigenação de etnias, culturas, gastronomias, religiões, etc. estar ainda sendo construída, inclusive, na apuração de seus valores comuns e aspirações, explica porque é comum ao brasileiro esperar que a solução de seus problemas venha de cima, do trono, do rei, ou na forma de hoje, do presidente da República (ou da presidente). Não temos ainda consolidada a consciência e menos ainda a ação, no sentido de que somos nós, os brasileiros comuns, os donos do país enquanto os políticos, os agentes do poder público, por nosso voto transformados em nossos representantes, são nossos empregados e nos devem satisfação. Agem, pela deformação histórica, como se nos fizessem favor de estar em cargos públicos e neles se locupletam de forma criminosa (grande parte deles, não todos).

A situação só vai começar a mudar quando os brasileiros tiverem consciência dessa condição de ainda tutelados pelo "rei" e pelas urnas e pela educação de seu povo, começarem a participar ativamente, tirando das "capitanias hereditárias" quem as comanda há décadas, de forma retrógrada para o país.

Meu leitor sabe que escrevo sobre isto há anos, tentando contribuir para dar essa consciência à nossa população. Ao menos aos que me lêem. Faço essa nova referência em face do artigo de Fernando Rodrigues, na Folha de domingo passado, quando sob o título "Um estado criado antes da sociedade", ele se refere à criação de Brasília, limitando seu texto à origem e aos vícios do Distrito Federal, quando na verdade, se aplica, como demonstro novamente, ao Brasil como um todo.

Conclamo, pela oportunidade, os brasileiros de bem, a começar a se mexer, buscar partidos políticos, contatos com os parlamentares, governantes, para manifestar sua insatisfação com a forma como estão destruindo os valores e o patrimônio público em benefício de alguns. Deles próprios.

Vamos buscar construir por meio legal, através de emenda constitucional, um mecanismo capaz de acabar com o foro privilegiado e com rito sumário para apuração e punição de quem viola a sua responsabilidade, auferindo benefícios pessoais no exercício de função pública.

Eles são nossos empregados e não nós servidores deles.

Quem se habilita?

 

por Paulo Saab