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Formar cidadãos e o papel da escola


escrito por Francisco R. Cruz

Cidadão! Eis uma palavra de apelo extraordinário. Da política à escola passando pelos sindicatos, lideranças comunitárias e por esse ser abstrato chamado de “sociedade civil organizada”, todos estão interessados nele. Evidentemente, com diferentes interesses.

Em todos esses segmentos o cidadão subiu a escadaria do marketing. Na escola, por exemplo, lá está ele impoluto nos “outdoors”: “Estamos formando cidadãos”. .

Formar cidadãos não é tarefa fácil, principalmente num país em que o planejamento de longo prazo não vai além da próxima eleição. A projeção de cenários objetiva, exclusivamente, a conquista do poder, o que torna o país refém de decisões eleitoreiras, que visam, sobretudo, capturar o dito cidadão.

A educação é atriz principal na formação dos cidadãos. Quando ela não se apresenta não há cidadão, pois, um analfabeto nunca será um deles. No Brasil são, ainda, mais de quinze milhões que, exatamente, por lhes faltar essa condição, nunca exigiram, e nem o governo lhes deu, o direito à alfabetização, primeiro degrau da cidadania.

Outro protagonista importante é a família, embora muitas delas, por absoluta falta de preparo, sequer seriam coadjuvantes, o que determina alguns conflitos. Essa família acredita que educar é responsabilidade exclusiva da escola e esta, por sua vez, não reconhece a incapacidade daquela em compreender o processo e a acusa de descaso.

Esse conflito esconde um comodismo para enfrentar o problema, enfraquecendo o sistema e o país perde a oportunidade de ir além da péssima educação acadêmica. Seria necessário, que desde a pré-escola as crianças fossem apresentadas às regras de convivência, pois, precisariam aprender que uma sociedade se subordina a determinados princípios.

As normas existentes, no entanto, são insuficientes, confusas, frouxas e de baixa eficácia. Tanto é que alunos chegam atrasados; tarefas de casa não são feitas; faltas às aulas são constantes; alunos sujam as salas; usam livremente celulares em sala, enfim, um ambiente de indisciplina, desrespeito e até violência. Indefesas professoras são submetidas a esse quadro, onde contrariar um aluno chega a ser risco de morte.

Para formar cidadãos as escolas têm de reinventar-se, não só do ponto de vista acadêmico, mas, sobretudo, na área disciplinar. As escolas de sucesso no mundo todo cuidam muito bem disto.

No Brasil, também, é assim. Selecionem-se, aleatoriamente, algumas escolas e mesmo sem conversar com ninguém, numa simples e rápida visita, é fácil saber o desempenho delas.

Nas melhores há ordem, as regras são claras e do conhecimento de toda comunidade escolar, inclusive das famílias. São rigorosamente aplicadas e religiosamente cumpridas. Os professores conhecem seus alunos, sabem das suas potencialidades e visitam a casa dos que têm dificuldades. Dessas escolas sairá um verdadeiro cidadão. Das outras! É difícil saber o que será das crianças que lá estão.

O certo é que, sem incorporar princípios mínimos de civilidade, desde a tenra infância, jamais se pode almejar inserção no mundo civilizado. Pelo lado econômico, pode-se até chegar bem próximo dele, mas, a léguas de distância do lado civilizatório e muito próximo da falência moral.

O pretenso cidadão, independente do seu grau de instrução, continuará a não cumprir horário; jogar lixo nas ruas; não respeitar o direito dos outros; furar o sinal vermelho; aceitar passivamente as traquinagens do poder (com as quais, levando vantagem, se identifica) e outras mazelas sociais e institucionais. O seu voto sempre atenderá as suas conveniências pessoais, jamais as da sua comunidade ou as do seu país, pois, é um ser, eminentemente, individualista.