Visite os idosos de sua cidade
Ao subir num ônibus urbano, um homem idoso escorregou e perdeu
um sapato. O veículo arrancou rapidamente e não podia mais parar,
ficando-lhe impossível recuperar o calçado. O ancião tranqüilamente
retirou seu outro sapato e jogou-o pela janela. Um jovem que a tudo
observara lhe perguntou: “Por que o senhor jogou fora seu outro
sapato?” “Para que, quem os encontrar, possa usá-los”, respondeu.
Apenas alguém necessitado dará importância a um sapato usado perdido
na rua, mas de nada lhe adiantará se não tiver o par completo.
A passagem consta de um estudo especial utilizado por algumas
igrejas para reforçar a importância do idoso na sociedade. Não é só o
tempo e a experiência adquirida que traduzem a fundamental
importância destes cidadãos na sociedade. É também através deles, que
as inúmeras gerações são aperfeiçoadas com a transmissão de
conhecimento. Outra: a bondade é uma das características mais
marcantes que um idoso deixa para a juventude.
Talvez eu e você estejamos inseridos nesta mensagem agora, ou
faremos parte deste grupo mais adiante. Porém, não nos preocupemos
exatamente com a velhice. O essencial, acredito, é refletir no
amadurecimento que a idade propicia a cada um.
Se pensarmos direitinho neste processo adquirido pelo tempo, ganhamos
sabedoria plena pela vivência, embora as limitações comecem a dar o
sinal da sua graça pelas debilitações físicas que moldam a vida do
cidadão de “certa idade”. Há um júbilo especial em saber que o idoso
tem ganhado espaço especial na sociedade. Tão importante até como
consumidor. Como gerador de renda! Até os empresários e publicitários
passaram a compreender isso. Estão investindo alto com chamadas
especiais dirigidas para o este público, o que certamente redunda em
algum lucro.
No final de tarde da última segunda-feira fui caminhar por
Venceslau. Como saio sem rumo, resolvi passar na frente do Abrigo
Esperança. Lá, bem próximo ao portão de entrada, na Rua Prestes Maia,
um pintor estava concluindo um letreiro que informava sobre os dias e
os horários de visitação. Parei alguns minutos e me veio à memória o
quanto aquele lugar passou por transformações. E o quanto é
imprescindível para todos nós! Encravado num fundo de vale,
anteriormente a região era composta basicamente por frondosos
eucaliptos. No meio, uma grande erosão caracterizava a área. Depois,
uma enorme tubulação de águas pluviométricas resolveu o problema.
Tive o prazer de residir bem próximo ao local por mais de 40 anos. O
terreno da minha residência “fazia” fundo com o abrigo de idosos.
Recordo-me de que lá a água era retirada de um poço através de
antiga bomba manual rudimentar que funcionava impulsionada pelos
movimentos contínuos de uma alavanca por força muscular. A primeira
construção era de madeira, bem próxima a uma capela na Rua Cuiabá.
Lembro-me com emoção que o tilintar do sino daquela pequena igreja
anunciava o falecimento de algum ancião, cujo corpo era levado até lá
para a cerimônia fúnebre. Juntamente com os meus pais, passava por
entre os arames de uma cerca, e testemunhava as orações que eram
feitas ali. Outra cena de que não me esqueço: os idosos cortavam os
cabelos ao relento, numa pequena cadeira de madeira, cobertos por um
lençol. Da minha casa eu podia ver tudo! Também plantavam milho e
mandioca. Criavam frangos, bois e porcos numa grande pocilga. Volta e
meia ia até lá observar os novos leitões!
O local era extremamente calmo e acolhedor. No entanto, era
agitado uma vez por ano pela voluntariedade e o amor do saudoso
apresentador sertanejo Osmar Pacito. No dia
das Mães, ele levava as duplas caipiras para se apresentarem no
local, transmitindo o evento pela Rádio Presidente Venceslau. Em
parceria com o comércio, distribuía presentes à mãe mais idosa, à mãe
que tinha mais filhos etc.. Numa das vezes em que estive presente
testemunhei a entrega de um brinde a uma mulher que tinha 21 filhos.
As pessoas que lá compareciam também levavam todos os tipos de
alimentos para o abrigo, contribuindo na sua manutenção. Entre os
cantores que se apresentavam ali estavam a Dupla Liveira
e Liveirinha, Piere
de Sá e Zé de Zé, João Miranda e Maradona e o falecido instrumentista
Nico Moré, com o seu impecável violino.
Vários prefeitos da cidade e de municípios vizinhos costumavam
aparecer por lá neste dia ou falar alguma mensagem via telefone!
A lembrança especial fica por conta dos enlaces que aconteciam
ali. Os idosos também se casavam entre si! Viúvos e viúvas contraiam
matrimônio para amenizar a solidão, sempre caracterizada neste
período. Era bonito ver homens e mulheres de cabelos brancos andando
pelo pátio do abrigo de mãos dadas. Que visão deslumbrante!
Não escrevo estas linhas a mando de ninguém, a não ser da
minha consciência. Se eu posso ajudar com essas palavras e
lembranças, você pode auxiliar de outra maneira, quem sabe
materialmente. Não perca a oportunidade de fazer o bem.
Visite
o Lar ou Abrigo de Idosos de sua cidade.
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